Sunday, March 21, 2021

Achei um poço petrolífero

 Iniciar o dia com uma boa leitura tem sido rotina há uns dias. Após um período sem inspiração para ler mais que obrigações docentes ou concurseirísticas, dei-me conta de que a leitura me move no sentido daquilo que realmente sou. Não posso ficar sem ela. Nem sem o cafezinho que a acompanha. É preciso encaixar na rotina.

Já faz um bom tempo que ouvi falar de um escritor norte-americano chamado Philip Roth, falecido em 2018. Eu fico garimpando a enormidade de escritores que existem ou já existiram na tentativa de encontrar algo que me mova, uma busca incessante de um poço petrolífero de onde tirar meu combustível. Foi assim que me propus a conhecer a obra desse judeu premiado e cancelado por muitos.

Sendo assim, fui no bom e velho YouTube buscar algumas referências. Depois de dois vídeos sobre o escritor, decidi iniciar a leitura de Roth por Zuckerman acorrentado, um conjunto de três romances e um conto. O primeiro romance, O escritor fantasma, é dedicado a ninguém menos que Milan Kundera. Deve ser coisa boa! pensei. Há poucos escritores que me prendem como Kundera me prendeu. A capacidade de narrar sentimentos, a condição humana através de ações cotidianas é algo que realmente me impressiona. Senti isso quando li Pascal Mercier (Trem noturno para Lisboa) e o próprio Kundera. Decidi experimentar.

Nessa manhã de domingo em que escrevo, leitor curioso, terminei de ler a obra O escritor fantasma. E que obra! Literatura de verdade, rara de encontrar. Em vinte e quatro horas de enredo principal, construiu-se o romance inteiro. Exploração de sentimentos, significações de momentos simples. Tudo aquilo que eu buscava. Estou tentado a terminar a coletânea muito brevemente.

Você deve estar se perguntando sobre o que o enredo fala, se isso que escrevo é uma resenha ou uma crônica, qual a minha intenção com esse texto. A intenção é somente praticar a escrita, que não deve esperar momentos grandiosos de inspiração ou pretensões superiores. O gênero talvez se aproxime de uma crônica mal feita, despretensiosa.

O escritor fantasma traz a visão de um homem, um judeu de vinte e três anos que quer ser escritor. Os vídeos me disseram que Philip Roth tem criaturas que imitam o criador. Algo de que ele não consegue fugir, sem dúvida alguma, é a sua condição de judeu... e de homem. Um drama familiar permeia a obra: a tentativa de se desacorrentar das amarras criadas pela família e pela condição de judeu. Poderia ele falar de judeus, com personagens judeus e se furtar a analisar o caráter humano e seus defeitos? O mundo cheio de antissemitismo e um escritor deve mesmo se debruçar sobre o caráter dos seus dessa forma? Um dilema familiar. Há também a busca do jovem escritor por um “pai”, um mentor, uma referência, ou melhor, por reconhecimento dos grandes. E isso pode refletir justamente a decepção que sentiu em sua própria casa. São essas as questões levantadas que me remeteram à ideia de um “escritor acorrentado”. São dilemas que certamente Philip Roth deparou quando era um jovem escritor da Costa Oeste dos Estados Unidos. É por isso que seu protagonista Nathan Zuckerman passa.

Propositalmente, e porque não a pretensão do texto, vou deixa-los só com essas poucas linhas sobre a obra, que me agradou muito. Quem quiser saber mais que leia. Não vou estragar o prazer da descoberta. Quero voltar a ler Roth em breve. Quem sabe não decido escrever uma resenha de respeito. Agora, ainda tenho algumas tarefas para fazer. Hoje, o penúltimo domingo de março, é um dia de descanso, mas também das prosaicas obrigações cotidianas. Vou dar banho nos animais. Até breve!

PS: Leiam Philip Roth.

Monday, February 22, 2021

Limpeza

Estou começando a pegar abuso da minha estante de livros. Antes eu achava linda, queria aumentar, na ideia de que uma grande estante refletia meu engrandecimento. 
Hoje estou dando preferência aos e-books. Para mim, funciona. Quem quiser continuar acumulando que acumule, eu quero deixar apenas o essencial. E isso se aplica também aos sentimentos e às pessoas.

Sunday, November 1, 2020

Introito.


O blogue Retalhos é uma versão amadurecida do meu antigo espaço de escrita. Aqui publicarei as minhas criações e reflexões. O objetivo é um só: exercitar a escrita. Não se sinta à vontade para me questionar sobre os textos ou opiniões. O autor é alguém distante e inacessível, um sujeito que vive isolado e evita contato humano, um ermitão. E é doido também.

Quanto ao nome, o nome me lembra rapidez, brevidade, algo que pode ser descartado, mas que existe. Como um texto que existe ainda que imperfeito. Assim é o retalho. Não serve para muita coisa. Em conjunto, talvez forme algo. O espaço será composto por brevidades que sozinhas não são nada e, em conjunto, talvez formem algo. Até o próximo lampejo de criatividade, querido leitor. Pontuo.